A superestrutura da dívida

“Assim como aconteceu em outros países semiperiféricos, a história da financeirização da estrutura social brasileira é a do sequestro de uma jovem pulsão democrática pelas forças do mercado mundial. Trata-se da transformação desigual, porém, progressiva de atores políticos qe souberam derrotar a ditadura civil-militar em operadores de um aparelho de Estado comprometido com os fundamentos macroeconômicos do neoliberalismo.

Este compromisso inaugurado na Era FHC não foi modificado pelo lulismo, que aperfeiçoou o mecanismo de subordinação dos interesses populares aos ditames do capital financeiro. Fez isso por meio de uma ampliação inédita da hegemonia financeira que incorporou as classes subalternas ao consumo via popularização do crédito. Ao mesmo tempo, os governos petistas criaram espaços para que sindicalistas assumissem papéis ativos na definição de investimentos capitalistas via fundos de pensão administrados como fundos de investimento.

A face mais importante e, ao mesmo tempo, menos estudada da hegemonia financeira pela sociologia crítica talvez seja a dívida pública. O livro [A superestrutura da dívida, de Daniel Bin] organiza-se em torno de um problema sociológico fascinante, sobre como a financeirização redefiniu o caráter específico de classe do Estado brasileiro. Ou, parafraseando Göran Therborn, a análise de Daniel Bin revela que o caráter classista da política econômica brasileira é historicamente constituído e que atualmente é a finança quem dá as cartas, assim como no passado o fizeram a indústria ou o comércio agroexportador.

A conclusão do estudo é devastadora para quem interpreta os governos petistas conforme a chave do redistributivismo via políticas públicas. Apreciado do ângulo das finanças, a Era Lula foi um período notavelmente antidemocrático no sentido de que excedentes produzidos pelas classes subalternas foram espoliados por um setor financeiro alheio a qualquer tipo de controle político. Uma alienação tão profunda que, na mudança do ciclo expansionista para recessivo, passou a ditar o ritmo da acumulação por espoliação a todos os demais setores da economia” (Ruy Braga, orelha do livro)

Resultado de imagem para livro a superestrutura da dívida Daniel Bin

Ficha técnica
Título: A superestrutura da dívida: financeirização, classes e democracia no Brasil neoliberal
Autor: Daniel Bin
Editora: Alameda
Ano da publicação: 2017
Páginas: 272
Preço: R$ 60,00

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José Paulo Netto: ensaios de um marxista sem repouso

A coletânea de ensaios José Paulo Netto: ensaios de um marxista sem repouso, organizada por Marcelo Braz, “mostra a abrangência temática, a coerência e a sagacidade de seu pensamento [de José Paulo Netto]. Estes textos, até então dispersos em várias fontes, revelam, em cada linha, sua conexão com a história e a preocupação em compreender o contexto das lutas de classes, seja em análises mais gerais sobre a dinâmica contemporânea do capitalismo, seja de processos revolucionários particulares, seja acerca do Serviço Social, seja enfim da tradição marxista internacional e latino-americana. É com admiração e gratidão por seus ensinamentos e convivência ao longo dos últimos quase trinta anos que convido à leitura e fruição intelectual e militante desta obra, onde José Paulo Netto mais uma vez nos ensina e impulsiona, sob a forte inspiração marxiana, a não só interpretar, mas transformar o mundo.” (Elaine Rossetti Behring)

José Paulo Netto. Ensaios de um marxista sem repouso

Ficha técnica
Título: José Paulo Netto: ensaios de um marxista sem repouso
Organizador: Marcelo Braz
Editora: Cortez
Ano da publicação: 2017
Páginas: 432
Preço: R$ 68,00

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Novos Temas 14/15

O Instituto Caio Prado Jr. lançou mais uma edição da revista Novos Temas. O número 14/15 traz um dossiê sobre a conjuntura brasileira com artigos de Mauro Iasi, Plínio de Arruda Sampaio Jr., Milton Pinheiro e Patrício Freitas, entrevista com Oscar Niemeyer,  textos de Lenin, Anita Leocádia Prestes, Sofia Manzano, uma resenha da biografia de Caio Prado Jr. e muito mais. O sumário completo pode ser conferido abaixo:

I. Entrevista
Oscar Niemeyer: a Argélia e a mesquita revolucionária

II. Fundamentos
V. I. Lenin, Uma das questões fundamentais da revolução (setembro de 1917)

III. Artigos
Anita Leocádia Prestes, A atualidade da Aliança Nacional Libertadora (ANL) – 80 anos depois
Rodrigo Jurucê Mattos Gonçalves, Miguel Reale e a construção da ditadura de 1964 (1962-1964)
Adilson Amorim de Sousa e Cristiano Ferraz, Movimento indígena no Equador: do movimento étnico para o movimento étnico-popular
Sérgio Prieb, A atualidade de O capital – 150 anos depois
Sofia Manzano, Fundamentos da longa crise política no Brasil. Caio Prado Jr.: um intelectual da revolução brasileira

IV. História imediata
Mauro Luis Iasi, O fim do ciclo petista e o esgotamento da estratégia democrática popular
Plínio de Arruda Sampaio Jr., Um desfecho melancólico: notas sobre o momento histórico e os desafios da esquerda
Milton Pinheiro e Patrício Freitas, A máscara petista sobre a face da dominação burguesa

V. Memórias da luta
Wilson Barbosa, vida e práxis

VI. Ideias em movimento (Resenha)
Caio Prado Júnior: uma biografia política, de Luiz Bernardo Pericás, por Luccas Eduardo Maldonado

Ficha técnica
Título: Novos Temas 14/15
Autores/as: diversos/as
Editora: Instituto Caio Prado Jr.
Ano da publicação: 2018
Páginas: 244
Preço: R$ 30,00

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100 anos depois: a Revolução Russa de 1917

“Os dez ensaios – criativos, instigantes e polêmicos – reunidos neste livro não constituem um volume de ocasião, celebratório do centenário da mais relevante revolução do século XX. 100 anos depois: a Revolução Russa de 1917 não é uma tradicional coletânea em que doutos professores, encastelados na academia, louvam ou demonizam um evento extraordinário.

Este livro não serve à louvação fácil nem à demonização interessada. É um notável esforço de compreensão: aqui, toma-se a revolução bolchevique como objeto de análise teórico-crítica. Daí a sua riqueza temática: desconstrói-se a satanização que a historiografia oficial promoveu sobre ela, desvela-se a sua efetiva contextualidade, enfrentam-se questões candentes (da consciência de classe, da economia política, do direito, da cultura) e não se elude o problema da sua degeneração.

Neste livro, vê-se no Outubro de 1917 o laboratório emancipador que deve ser explorado crítica e prospectivamente – o rigor dos autores procura a verdade do passado para esclarecer e transformar o presente, com vistas ao futuro”. (José Paulo Netto, quarta capa).

100 Anos Depois: A Revolução Russa de 1917

Ficha técnica
Título: 100 anos depos: a Revolução Russa de 1917
Organizadores: Felipe Demier e Marcio Lauria Monteiro
Autores/as: Demian Bezerra de Melo, Guilherme Leite Gonçalves, Henrique Canary, Kevin Murphy, Marcelo Badaró Mattos, Marcelo Carcaholo, Raquel Varela, Valério Arcary
Editora: Mauad
Ano da publicação: 2017
Páginas: 224
Preço: R$ 59,90

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Miséria da filosofia

Miséria da filosofia, primeiro livro que Marx publicou sozinho e o único que redigiu em francês, foi escrito entre janeiro e abril de 1847, em Bruxelas, e saiu em edição custeada pelo autor, com tiragem de oitocentos exemplares, em princípios de julho. A obra de Proudhon que é objeto da crítica de Marx, Sistema das contradições econômicas ou Filosofia da miséria, fora publicada em Paris em outubro do ano anterior e, semanas depois, um exemplar chegou-lhe às mãos, enviado por Engels.

A crítica marxiana, à qual Proudhon nunca respondeu publicamente (embora tenha feito registros amargos e indignados em seus diários e em sua correspondência), pôs fim a uma relação iniciada em Paris em 1844, quando Marx foi recebido por Proudhon em seu apartamento. Os encontros se repetiram até 1845, quando o governo francês obrigou Marx a abandonar o país. Publicada a Miséria da filosofia, os dois jamais voltaram a se falar.

Fonte: site da editora Boitempo

Miséria da filosofia

Ficha técnica
Título: Miséria da filosofia
Autor: Karl Marx
Tradutor: José Paulo Netto
Editora: Boitempo
Ano da publicação: 2017
Páginas: 216
Preço: R$ 39,00

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Reconstruindo Lênin

Vladímir Ilitch Lênin é uma das figuras mais enigmáticas e influentes do século XX. Embora sua vida e seu trabalho sejam cruciais para a compreensão da história moderna e do socialismo, gerações de escritores, à esquerda e à direita, consideraram oportuno embalsamá-lo com uma análise superficial ou um dogma sombrio. Agora, quase trinta anos depois da queda da União Soviética e do “socialismo real”, retornar a Lênin e mirar em suas contribuições teóricas e políticas mostra-se necessário. Reconstruindo Lênin: uma biografia intelectual, resultado de quatro décadas de pesquisas do húngaro Tamáz Krausz, especialista em história russa, cumpre essa tarefa.

O primeiro dos oito capítulos do livro apresenta uma visão geral da vida e da trajetória política de Lênin, deixando de lado os mitos e humanizando o líder revolucionário. Na sequência, Krausz conduz o leitor ao âmago do pensamento teórico e da prática política de Lênin, com explicações lúcidas e equilibradas de seu desenvolvimento intelectual, passando por diversos tópicos como capitalismo russo, guerra, tipos de ditadura, democracia, socialismo e utopia. Esse rico e penetrante relato revela Lênin ocupado no trabalho da revolução e da elaboração de seu pensamento, ao mesmo tempo atento a eventos políticos imediatos e coerente com sua perspectiva teórica. Krausz demonstra a relevância do leninismo em nosso tempo, defendendo que uma versão renovada da doutrina poderia gerar uma força emancipadora e fornecer ferramentas para aqueles que ainda pensam na possibilidade de um mundo mais igualitário.

Fonte: site da editora Boitempo

Reconstruindo Lenin

Ficha técnica
Título: Reconstruindo Lênin: uma biografia intelectual
Autor: Tamáz Krausz
Tradutores: Baltazar Pereira, Pedro Davoglio e Artur Renzo
Editora: Boitempo
Ano da publicação: 2017
Páginas: 640
Preço: R$ 89,00

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A greve de 1917

“Um protesto iniciado em uma tecelagem, no bairro paulistano da Mooca, há um século, marcou definitivamente a luta dos trabalhadores em nosso país. As condições de
vida eram tremendamente precárias. Não havia leis trabalhistas, não havia garantias para as mulheres e o trabalho infantil era regra, por ser mais barato e mais fácil
de controlar.

Numa conjuntura de guerra, crise econômica e carestia, a inquietação localizada se espalhou. O patronato respondeu com os argumentos de sempre: pau, bala e demissões.
Mas, daquela vez, a agressão não funcionou. A revolta se espalhou por outras fábricas e pelo comércio. Quando os bondes pararam, São Paulo parou junto. Multidões
tomaram as ruas, em cenas inéditas até então.

Para a oligarquia, plantada em seus casarões da Avenida Paulista e no bairro de Higienópolis, a visão foi aterradora. Dezenas de milhares daqueles considerados feios,
sujos e malvados surgiram à luz do dia, entre junho e julho de 1917, para cobrar uma participação mínima por sua contribuição ao desenvolvimento.

Nem mesmo a brutalidade oficial deteve aquela gente munida de impulsos terríveis: o desejo de matar fome, ter teto e contar com condições para criar os filhos. A
pressão das ruas foi tamanha que os ricos tiveram de ceder. A demanda por salários e melhores condições de vida e trabalho acaba espetacularmente vitoriosa.

Nos tempos em que as denominadas ‘elites’ brasileiras buscam retirar direitos dos trabalhadores, remetendo o país a uma situação social semelhante à daqueles tempos, a
leitura de A greve de 1917: os trabalhadores entram em cena torna-se fundamental. Um século depois, uma lição segue valendo como nunca: a unidade dos trabalhadores é
pré-requisito para que qualquer luta sensibilize multidões e resulte em vitórias coletivas.” (Gilberto Maringoni)

José Luiz Del Roio, autor do livro, gravou uma entrevista de 40 minutos sobre a obra, que pode ser conferida aqui.

A greve de 1917

Ficha técnica
Título: A greve de 1917: os trabalhadores entram em cena
Autor: José Luiz Del Roio
Editora: Alameda
Ano da publicação: 2017
Páginas: 129
Preço: R$ 29,00

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